Sinto um vazio que me preenche e me consome. Nada tem já sentido. Não tenho vontade de nada... mas minto e minto porque a vontade que tenho de chorar me ultrapassa e deixa de ser vontade para ser necessidade. As lágrimas percorrem as curvas do meu rosto e mostram a fraqueza, que é algo inesplicável que associada a um amor sincero e incondicional ferido de morte, transforma um vaso já colado, em pequenos pedaços a perder de vista no local fundo, escuro, frio e doloroso em que me encontro. Saber que a pessoa por quem mais fiz desde que me conheço a mim próprio enquanto pessoa.. a pessoa a quem contei tudo de mim... com quem partilhei alegrias e tristezas... que apoiei ao máximo que consegui... que no fundo era uma das, senão a minha maior razão para viver, acordar de manhã com vontade de fazer alguém feliz... e a única que me conheceu como realmente eu sou... É simplesmente algo que já não o é... algo intenso mas fugaz... que de tão intenso trouxe alegrias e tristezas e de tão fugaz trouxe somente a ilusão de um amor, somente uma paixão que foi passageira e que de amor teve muito pouco.
Há um ditado que fala sobre pobreza e diz:
"Quem dá só pode dar às vezes,
mas quem precisa, precisa sempre"
Há uma certa ironia nisto... quem gosta pode gostar e deixar de o fazer, mas quem ama, ama sempre...
E isso ninguém é capaz de negar. Aliás talvez o neguem aqueles que gostam e pensam amar. Agora quem deixa de gostar com uma certa leveza e lucidez de espírito, que se consegue expôr sem qualquer pudor como se nada fosse, a outra pessoa. Faça-o. E não deve ser recriminada por tal, apenas apoiada na decisão que tomou. E assuma, com a mesma lucidez de espírito, para que mais a apoiem. Agora, quem ama é inconsciente, comete erros, faz coisas inexplicavelmente condenáveis, com um só objectivo... Amar
Reprimo-me, responsabilizo-me, recrimino-me, e tento negar o inegável, mesmo quando o vejo com os meus olhos ou o ouço com os meus ouvidos. A verdade existe e somos nós quem a fabricamos... A paixão existe e somos nós que a fabricamos mas também destruímos... O amor nasce sem se dar por ele e não o conseguimos destruir...
É duro, é triste e fonte de um sofrimento atroz... quando se ama um ser que de nada passou a tudo e de tudo passou a nada...
sábado, 22 de maio de 2010
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